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Larissa Barddal Fantini, botão de elevador, imagem digital, musica, 2020

L: Passei um ano longe da minha família.

F: Cê tá na Bahia?

L: Tô.

F: Ai, que legal. 

L: Só que não pode sair de casa.Então, tá na Bahia é que nem estar em Curitiba mas com muito mais calor. Minha vó veio pra cá com a gente, né. Porque ela quebrou o pé e não tinha como ficar sozinha no Natal. Daí ela vai pra Igreja pelo ZOOM. 

L:  Eu acho engraçado que ela fica rezando no meio da sala como se estivesse na igreja, sabe, cantando...

R: Eu nunca consegui jogar The Sims por mais de dois meses. Porque sempre enjoava depois de dois meses.

L: Nossa, The Sims foi meu despertar sexual assim. Tipo, eu botava todos os sims no quarto e fazia uma suruba. Botava todos eles pra fazer oba-oba ao mesmo tempo.

L: Quando cê tem entre 10 e 13 anos, sei lá, sexo é uma coisa muito… NOSSA. Eu jogava um jogo virtual que chamava “XXX”. 

E daí o que acontecia é que você tinha uns bonequinhos assim, e daí tinha uns “códigos” que era tipo: se você escrevesse “5” queria dizer que você tava transando com a pessoa. Daí a pessoa perguntava tipo “5?”. Daí eu e minha amiga ficava “Ai meu deus, 5? Será que a gente vai fazer 5 com ele?”. Aí 3 queria dizer chupar, 7 queria dizer boquete. Todos os códigos. Aí eu sempre ficava: “Ai, não, porque eu não sou esse tipo de menina que vai fazer 5. Nessa idade é muito ridículo.

L: Aí tinha vários bonecos que ficavam um do lado do outro falando tipo: “5, 5, 5, 5”.

R: O meu primeiro e-mail foi um e-mail gordofóbico assim. Porque meu irmão quem fez pra mim e nessa época eu era… obeso. Era uma criança obesa. Fui até os 13, 14 anos. Aí ele fez e-mail pra mim porque eu não sabia fazer. Era pra eu fazer o meu primeiro MSN. Daí o e-mail era “renan.fat@hotmail.com” . E esse foi o e-mail do meu primeiro MSN.

L: O meu, eu era bem emo quando fiz meu primeiro MSN. Aí meu primeiro MSN era “x_ten_things_I_hate_about_me_x@hotmail.com”. Era bem emo.

F: O meu era uma coisa assim também. O meu tinha umas coisas emos também, tipo “x”, não lembro direito. Aí o meu segundo e-mail que eu usei por muito tempo, foi numa época que eu tava fazendo inglês britânico, e eu queria muito ser britânico. Daí o meu e-mail era “ferdrinkstea@hotmail.com”. 

1.

o amanhã acabou para todos. 

2.

tem cheiro de poeira e luz do luar.

3.

no enterro ele sussurrou tchau mamãe.

4.

meu coração é um vaso quebrado.

5.

o som não viaja longe no vácuo do espaço.

6.

um lírio plantado no seu braço, e minha perna.

7.

o céu era um quarto.

8.

uma vez nos labios, para sempre no quadril.

9.

o ponto efêmero.

10.

 duas luas sobre a mesma casa.

11.

algumas pessoas são como fumaça de charuto.

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Larissa Barddal Fantini, poema de elevador, 2020

L: Uma coisa que eu acho muito engraçada é os títulos dos filmes que a Netflix coloca em português, que são em inglês, sabe? Eu não tinha nem percebido que eles colocam títulos muito aleatórios. 

R: É, nas produções locais eles são bem “versão brasileira Herbert Richers” o que eles fazem, né. 

F: Gente, mas é muito pior as traduções do português de Portugal, são muito terríveis. 

R: Eu já vi algumas na Wikipedia. Tem muitas pérolas, né?

R: Tem vários memes sobre isso, né? Tem um que eu acho ótimo que é da mina do… a mina só tirou um print de uma tela do Tinder de Portugal. Aí ela tá falando com um cara, e ela tá falando na linguagem que pra gente brasileiros é normal. E o cara tá respondendo com uma coisa tipo “meu pau está a babar”. 

L: É! E ela fala “parece que eu tô flertando com Camões”. 

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Fernando Moletta, Still Interjeição a Elétrico e articulado, 2021. Videoarte. 4'35" | 21:9 | Cor | Estéreo

F: E daí eles tão também recentemente muito putos porque eles acabaram de descobrir com os brasileiros que, tipo, o “Parabéns” é meio que um verbo, sabe? A gente usa meio como um verbo.

R: Ah! O parabenizar! Eu vi essa treta essa treta do parabenizar.

F: Que daí a treta é que eles acham que nós temos muita preguiça de falar: “Dou-lhe os parabéns”. 

R: Que ridículo, quem fala isso?

L: Nossa, eles devem achar que os brasileiros é tipo um bando de preguiçoso que não quer se esforçar pra falar o idioma, mau-educado.

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Larissa Barddal Fantini, Condominio Village Garden, 2020

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TRAILER:

Fernando Moletta Interjeição a Elétrico e articulado, 2021. Videoarte. 4'35" | 21:9 | Cor | Estéreo

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Renan Archer, Chame para conversar, 2020, imagem digital interativa

F: Sabe qual TikTok eu gosto?

L: Qual?

F: É uma menina que ela é brasileira e ela se finge de gringa no Omegle.

L: Sim! Só que agora virou uma polêmica, porque agora vão os brasileiros que se fingem de gringo pra tentar falar com ela porque eles sabem que ela não é gringa e daí eles tentam pegar ela na mentira dela.

R: Nossa, a internet é muito tóxica. 

L: Um dos brasileiros ficou tipo “Da onde você é?”. Daí ela falou assim: “America”. Daí ele falou “Where in America?”. Daí ela falou: “Oh, Georgia”. Daí ele falou: “Qual cidade na Georgia?”. Daí ela falou tipo: “Atlanta”. Daí ele falou: “What county?”. Daí ela não sabia responder e desligou. Eles tão tentando pegar ela na mentira.

R: Aposto que já deve ter vários canais de TikTokers que é tipo só tentando pegar os outros TikTokers que fazem esse tipo de parada, na mentira.

L: Sim…

R: Mas que bizarro eles trancarem o teu relógio. Isso é muito, tipo, internet tóxica, pra você gastar muito tempo no aplicativo. 

L: E você realmente gasta muito tempo, nossa. Eu passei o dia inteiro hoje no TikTok, nem mexi no nosso site, nem conte pra Marina. Eu tinha que fazer muita coisa, nem fiz nada. Passei o dia inteiro no TikTok.